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 Forum >> Pesquisas com Animais >> Matéria da Ativista MARIANA
Matéria da Ativista MARIANAResponder sobre Matéria da Ativista MARIANA
Administrador AB
6/1/2007
A Mariana, voluntária do Abrigo dos Bichos, faz parte da matéria.
Parabéns, Mariana!!!
 
Ligia Martoni [22/09/2006]
Foto: João de Noronha/O Estado

Disciplina de técnica de cirurgia do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) usa animais mortos.

A utilização de animais para fins de ensino e pesquisa nas universidades é tema que levanta polêmica entre protetores e comunidade acadêmica. Na última semana, a denúncia de um suposto experimento de colocação de aparelhos ortodônticos em cães na Universidade Federal do Paraná (UFPR) mobilizou ativistas de diversos estados e levou os alunos a juntarem documentação necessária para uma investigação por parte da Procuradoria da República. O caso tomou tamanha repercussão que o experimento - que, segundo os responsáveis, era de outra natureza - foi cancelado e os animais doados a uma instituição protetora.  

Os aspectos envolvidos no âmbito da vivissecção vão além da questão ética. Abrangem também as reais eficiências do método. O termo vem da junção, no latim, vivus (vivo) e sectio (corte, secção), e consiste na utilização de animais para experiências de ordem científica. Em busca de casos parecidos Brasil afora, uma série de relatos foram obtidos, os quais são, no mínimo, um tanto polêmicos. Do outro lado, parte da comunidade científica defende que, apesar da tecnologia que permite substituir os bichos na produção de remédios e vacinas que salvam vidas, muitas pesquisas ainda necessitam dos seres vivos para se efetivarem.

O pesquisador e professor do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Alfenas (MG), Thales Tréz, coordena uma ONG de promoção de alternativas ao uso animal no ensino, a Interniche Brasil. Ele garante que em todas as práticas hoje envolvidas neste âmbito o uso animal é substituível. “Quando trabalhamos com ensino, usamos de conhecimentos preexistentes. Outros recursos podem dar conta do que já é sabido e precisa ser transmitido apenas”, explica o professor. Um exemplo é a aula de fisiologia cardiorespiratória, para a qual muitas instituições ainda adotam o método de anestesiar um cão, abrir seu tórax e injetar substâncias para verificar as reações. “As alternativas hoje são filmes, software interativos de alta resolução que mostram detalhadamente o interior dos animais e modelos tridimensionais”. O pesquisador atesta que as aulas ficam menos tensas e promovem eficiência até superior no aprendizado, uma vez que os procedimentos podem ser revistos.

Segundo o professor, também pode-se adquirir cadáveres de animais que morreram de forma natural para estudar a anatomia. “A faculdade de veterinária da USP acabou com as aulas de técnica cirúrgica que matavam animais e fez parceria com hospitais veterinários. Quando os cães morrem, são doados para uma professora que desenvolveu uma metodologia eficiente para conservar os tecidos”, conta. Porém, para o professor, tão importante quanto a troca da metodologia é a discussão ética com os alunos, a qual cabe à universidade promover.

Mas, apesar dos auxílios tecnológicos, Thales Tréz afirma que ainda hoje acontece de professores mandarem os alunos dos diversos cursos da área de biológicas procurarem bichos para os experimentos. “Orientam senão a pegarem cães de rua, comprarem galinhas, ratos, peixes, coelhos, camundongos, sapos. O problema é que não se tem feito muita coisa para evitar isso, é discussão incipiente no meio acadêmico; depende mais de depoimentos e denúncias para serem impedidos”. Não existe levantamento exato sobre o número de animais que morrem por ano no Brasil nas mesas das universidades, mas o pesquisador garante que está na casa de dezenas de milhares. “Mesmo que o animal tenha sido morto sem dor, não tira o problema da questão”.

Tristeza ao perceber a dor da cobaia

“Quem já viveu a dura experiência de encarar um cão subanestesiado tendo suas vísceras extraídas, e ao olhar seu olhos ver lágrimas, apenas lágrimas como manifestação de dor, já que toda sua musculatura está paralisada pelos bloqueadores neuromusculares, sabe exatamente do que estou falando”. O desabafo é do cientista e médico cardiologista do Instituto do Coração (InCor) de São Paulo, Marcelo Andrade, ativista que lembra da experiência vivida durante a faculdade para exemplificar por que defende que a ciência não precisa da vivissecção.

A médica veterinária Mariana Coelho Mirault Pinto também tem história semelhante. Quando ainda era estudante na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), denunciou o sacrifício de um cavalo, uma égua, um cão, uma galinha, um porco e um carneiro durante uma aula de Parasitologia para que os alunos simplesmente evidenciassem a disposição dos vermes no trato gastrointestinal. Mesmo perseguida na universidade por sua indignação, reuniu provas e testemunhas do procedimento quando repetido no ano seguinte. “Novamente, diversas espécies de animais foram mortas, muitas sem anestesia. Ao sairmos do campus, fomos direto na delegacia fazer um Boletim de Ocorrência”, relata. O caso foi parar na Procuradoria da República e a opção foi por um termo de ajustamento de conduta, impedindo que os procedimentos continuassem. “Hoje, qualquer aluno pode denunciar baseado no não cumprimento do termo”.

A partir daquele ano (2000), a universidade instalou o Comitê de Ética em Pesquisa Animal, presente em boa parte das universidades brasileiras, inclusive paranaenses, atualmente. “Mas existe um ‘currículo oculto’ nas universidades, principalmente na área de biológicas, que faz com que os alunos morram de medo de denunciar esses problemas. Você fica sendo uma pessoa estranha no curso”, afirma a veterinária.

PUCPR não utiliza mais bichos vivos

Foto: João de Noronha/O Estado

Gato com intoxicação alimentar que foi atendido na PUCPR.

O departamento de Medicina Veterinária da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) não utiliza mais animais vivos para o ensino desde 2002. Um ano depois, foi criado o Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua) da instituição. A disciplina de técnica cirúrgica, por exemplo, ministrada no terceiro ano, é uma das que substituíram a vivisseção pelo uso de animais mortos. “Caso os alunos queiram treinar em animais vivos, têm a oportunidade de fazer um protocolo no Centro de Controle de Zoonoses de São José dos Pinhais (onde localiza-se o campus de veterinária) e participar do mutirão que fazemos junto à comunidade para castração de cães”, afirma o professor Marconi Farias.

Nas disciplinas de farmacologia e fisiologia, os animais foram substituídos por filmes e, nas de anatomia e patologia, por maquetes. O coordenador do curso e membro do Comitê de Ética da instituição, professor José Ademar Vilanova Junior, garante que, para os estudantes da graduação, o ensino de modo algum é prejudicado. “O grande entrave, no entanto, é com a pesquisa. A vivissecção ainda é muito utilizada nos experimentos com medicamentos e próteses cirúrgicas, embora os computadores ajudem muito nas pesquisas biomecânicas (ortopédicas e neurológicas)”, explica.

Mais tarde, nos últimos anos de faculdade, os alunos terão contato com cirurgias e prática ambulatorial no hospital veterinário da instituição, com animais doentes de verdade. O atendimento é feito por um aluno, um residente e supervisionado pelos professores. “Desde as práticas clínicas, de patologia cirúrgica até diagnósticos, aprendem na rotina do hospital”, diz o professor Farias. “No caso de o aluno optar por atuar profissionalmente com cirurgia, terá de buscar uma residência e se aprofundar na prática, sendo primeiro auxiliar. Na graduação, seja com animais vivos ou mortos, em qualquer universidade, não vai praticar mais que cinco cirurgias, o que é insuficiente para preparar por completo um cirurgião”, complementa Vilanova.

Vivissecção ainda é muito usada em universidades

A prática ainda acontece bastante nos cursos de Medicina e Odontologia, principalmente. Para o professor Vilanova, trata-se de uso bastante útil. “O médico que realizou o primeiro transplante de fígado operou 620 porcos antes de fazer em um ser humano. Se não tivesse feito o exercício, o que poderia ter acontecido?”, questiona. “Sou defensor do bem-estar animal a todo preço, mas não os vejo como espécies intocáveis”.

Ele garante, porém, que em todos os procedimentos o médico veterinário tem de estar presente, conforme determina o comitê de ética, inspecionando os sinais que podem indicar dor ou mal-estar do animal. O comitê da PUCPR também conta com o membro de uma ONG de proteção animal e sugere métodos substitutivos aos professores, como filmar as aulas.

O veterinário acaba de voltar de um congresso que discutiu cirurgia e anestesiologia veterinárias. As discussões dos professores não chegaram a uma conclusão sobre a vivissecção como método mais adequado de ensino em cirurgia: “Quem é a favor defende que o aluno não evidencia possíveis complicações ou passa pelo desafio de tomadas rápidas de decisão, além de não ter controle adequado do sangramento. Os que são contra afirmam que, se não houver investimento pessoal, o aluno sairá inapto de qualquer maneira, e que a técnica cadavérica garante menos estresse em manter o animal vivo sem ser plenamente capacitado para isso. Além disso, são possíveis várias intervenções em um mesmo paciente”.

Uso de animais em pesquisas gera polêmica

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