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Trata Doença nos Olhos dos Gatos Responder sobre Trata Doença nos Olhos dos Gatos
Administrador AB
16/10/2008
No Rio, há uma epidemia de esporotricose felina conjuntival, que é transmitida para humanos.
Vale a pena ler o artigo, abaixo.
 
Obs: A esporotricose está para o gato como a leishmaniose está para o cão.

Esporotricose conjuntival felina

A esporotricose é uma zoonose causada pelo fungo dimórfico Sporothrix schenckii, na qual o gato doméstico é descrito como uma importante fonte de infecção. Devido à carência de estudos das alterações oculares que ocorrem na esporotricose felina, descreve-se um caso de acometimento oftálmico em um gato, proveniente da região metropolitana do Rio de Janeiro, sem histórico de trauma ocular. Realizou-se exame clínico completo, onde foram observadas lesões cutâneas ulceradas e conjuntivite. Foi realizada coleta de secreção presente em uma lesão cutânea ulcerada e do saco conjuntival do globo ocular esquerdo para exame citopatológico e cultura micológica, sendo o diagnóstico confirmado através do isolamento em cultura de Sporothrix schenkii em ambas as localizações. Iniciou-se tratamento com cetoconazol na dose de 50 mg/gato/ a cada 24 horas e após 75 dias observou-se a cicatrização das lesões cutâneas e ausência de alterações conjuntivais.

Descritores: Sporothrix schenckii, Esporotricose, Conjuntivite, Gato.

INTRODUÇÃO

A esporotricose é causada pelo fungo Sporothrix schenckii, que infecta os seres humanos e diversas espécies animais [5].

Desde 1998, o Laboratório de Pesquisa Clínica em Dermatozoonoses em Animais Domésticos (LAPCLIN-DERMZOO) do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC)/FIOCRUZ, vem acompanhando uma epidemia de esporotricose, envolvendo gatos, cães e seres humanos, na região metropolitana do Rio de Janeiro [1].

Nas duas últimas décadas, a transmissão zoonótica da esporotricose vem aumentando, podendo ocorrer através de contato com exsudato de lesão, mordedura ou arranhadura de gatos doentes [1].

A esporotricose felina apresenta um amplo espectro clínico, variando desde uma infecção subclínica, passando por lesão cutânea única até formas múltiplas, acompanhadas ou não de sinais extracutâneos.

A maioria das lesões cutâneas localiza-se na região cefálica e membros. O envolvimento das mucosas também é relatado [8].

A conjuntivite é descrita como uma inflamação conjuntival, caracterizada por hiperemia, quemose, secreção, infiltração com leucócitos e formação de folículos. Pode ser classificada de várias formas, de acordo com a duração, natureza da secreção, aparência e etiologia, sendo este critério o mais importante.

A conjuntivite micótica é considerada incomum em todas as espécies e tende a ser crônica [9].

Devido à escassez de estudos que descrevam o acometimento oftálmico em felinos e por tratar-se de uma zoonose, o presente relato tem como objetivo descrever um caso de acometimento conjuntival e cutâneo causado por S. schenckii.

RELATO DE CASO

Um gato macho, inteiro, sem raça definida, com 10 meses de idade, com suspeita clínica de esporotricose, procedente de Nilópolis – RJ, foi atendido no ambulatório do LAPCLIN-DERMZOO do IPEC/FIOCRUZ, Rio de Janeiro – RJ.

Ao exame clínico, foram observadas lesões ulceradas localizadas na face externa do pavilhão auricular esquerdo, no membro anterior direito e nos membros posteriores, além de adenite generalizada e espirros. Constatou-se, também, epífora no globo

ocular esquerdo, secreção de coloração castanha, conjuntiva hiperêmica de aspecto granulomatoso, folículos de coloração amarelada e quemose (Figura 1).

Foi realizado o imprint da lesão ulcerada através da impressão da mesma em lâmina de vidro. Para a realização da citologia esfoliativa da conjuntiva e coleta de material do saco conjuntival inferior, utilizou-se uma escova ginecológica, sendo o material coletado depositado em lâmina para microscopia [2].

As lâminas foram coradas pelo método Panótico Rápido e observadas ao microscópio óptico em objetiva de 100X.

A cultura micológica foi realizada em meio de ágar Sabouraud-dextrose acrescido de cloranfenicol e ágar Mycobiotic (Difco) incubado a 25°C, sendo o dimorfismo verificado pela conversão leveduriforme a 37°C em meio ágar infusão de cérebro e coração (BHIA).

No exame citopatológico de ambas localizações foram visualizadas leveduras sugestivas de S. schenckii (Figura 2). O diagnóstico definitivo de esporotricose foi obtido através do isolamento e identificação de S. schenckii.

O proprietário foi orientado sobre os cuidados no manejo de gatos com esporotricose [3] e o tratamento instituído foi cetoconazol 50 mg por v. o. a cada 24 horas.

Quarenta e cinco dias depois, constatou-se a cicatrização total das lesões ulceradas. No globo ocular, observou-se hiperemia conjuntival, com ausência de quemose e folículos. Após 80 dias de tratamento, verificou-se a ausência de alterações na conjuntiva do animal, entretanto, três semanas depois o proprietário comunicou o óbito do animal em decorrência de intoxicação por organofosforado.

DISCUSSÃO

A esporotricose felina apresenta um amplo espectro clínico[8]. Os sinais extracutâneos podem ser variados e a conjuntivite é pouco descrita na literatura, inclusive em humanos [4]. O envolvimento das mucosas em gatos com esporotricose já foi relatado [7], porém, no referido trabalho, não houve apresentação de dados individuais e não foi utilizado o método de diagnóstico específico para o isolamento do fungo na mucosa conjuntival, como neste caso.

Na esporotricose conjuntival observa-se uma congestão marcante, principalmente da porção 183

Silva D.T., Pereira S.A., Gremião I..D.F, Chaves A.R., Cavalcanti M.C.H., Silva J.N. & Schubach T.M.P. Esporotricose conjuntival felina Acta Scientiae Veterinariae. 36(2): 181-184. palpebral e do fórnix, podendo haver numerosos folículos.

Pequenos nódulos amarelados também são notados, podendo ulcerar, além de epífora [10], como descrito neste relato. As lesões conjuntivais são raras na esporotricose humana e quase sempre induzidas por trauma [6], o que não pôde ser confirmado neste caso, porém, não se descarta a possibilidade de auto-inoculação, devido ao hábito de lambedura utilizado pela espécie para higienização corporal e o ato de coçar. A conjuntivite granulomatosa humana, causada por S. schenckii sem histórico de lesão traumática primária, pode ser originada por disseminação hematogênica, hipótese plausível nesse caso [6]. O isolamento do fungo em diferentes sítios anatômicos e sangue periférico proveniente de gatos já foi comprovado, caracterizando a disseminação por via hemática da esporotricose felina [7].

O acometimento ocular na esporotricose felina não tem sido descrito, provavelmente devido à carência de estudos relacionados às alterações oftalmológicas causadas por S. schenckii. A conjuntivite micótica é incomum em todas as espécies e tende a ser crônica [9], como observado neste caso, já que a lesão ocular apresentava aspecto granulomatoso com a presença de folículos que são indicadores de cronicidade.

Devido a esporotricose ser uma zoonose, a descrição detalhada da apresentação clínica em gatos, especialmente de lesões cuja localização não seja freqüentemente descrita, torna-se importante para o diagnóstico precoce e a implementação do tratamento.

CONCLUSÃO

Através do isolamento do fungo foi possível comprovar o S. schenckii como agente causal da conjuntivite. Estudos das apresentações clínicas incomuns associadas ao S. schenckii em gatos, tais como as alterações oculares, são necessários para descrição dessas lesões e a compreensão da patogênese determinada pelo fungo nesses casos, permitindo o estabelecimento precoce de medidas profiláticas e terapêuticas.



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