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 Forum >> Dicas e Orientações >> Mudanças Climáticas: qual a importância para as doenças transmitidas por carrapatos?
Mudanças Climáticas: qual a importância para as doenças transmitidas por carrapatos?Responder sobre Mudanças Climáticas: qual a importância para as doenças transmitidas por carrapatos?
Administrador AB
28/11/2008
Autores:
Cássio Roberto Leonel Peterka, MV, Pesquisador IPE - Instituto de Pesquisas Ecológicas e Mestrando FMVZ-USP
Débora de Sousa Bandeira, MV, Pesquisadora IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas
O texto foi escrito baseado em trabalhos apresentados durante VI International Conference on Ticks and Tick-Borne Pathogens, Buenos Aires, Argentina.

Nas últimas décadas, muitas doenças mostraram grande aumento tanto na distribuição quanto na incidência, sendo muitas vezes denominadas doenças infecciosas emergentes. Além disso, é consenso geral que as doenças transmitidas por vetores são muito sensíveis as condições climáticas. Dentre os vetores, os carrapatos são os que transmitem a maior variedade de patógenos e mundialmente tem mostrado acentuado aumento nas taxas de incidência de doenças transmitidas por carrapatos.

A ecologia dos carrapatos, as conseqüências de suas interações com seu ambiente natural, é fundamental para o entendimento da variação temporal e espacial do risco de infecção de patógenos transmitidos por esses vetores. Devido as características biológicas de parasitas hematófagos, seu ambiente físico inclui os hospedeiros. Este ambiente biótico reage a presença destes vetores tanto a curto como em longo prazo, de uma forma em que o ambiente abiótico não atua, impondo pressões fisiológicas, populacionais e evolucionárias aos carrapatos. Entretanto, carrapatos são parasitas intermitentes, passando maior parte de seu ciclo vital livres, a mercê de fatores abióticos como a estrutura da paisagem e o clima.

Portanto muito se tem discutido sobre o real papel das mudanças climáticas sobre a ecologia e distribuição das diferentes espécies de carrapatos, assim como as conseqüências na epidemiologia dos patógenos que estes vetores podem transmitir. Devemos nos lembrar que durante o mesmo período em que estão sendo relatadas as doenças infecciosas emergentes, ocorreu a percepção de que estavam também ocorrendo as mudanças climáticas resultantes de ação humana. Essa coincidência levou a opinião geral de que as mudanças climáticas isoladamente, levaram ao aumento das doenças infecciosas emergentes.

Sem dúvida alguma, as mudanças climáticas alteram os padrões de temperatura, umidade, fotoperíodo, densidade e abundância de hospedeiros, o que de certa forma terá influência na ecologia dos carrapatos e epidemiologia de suas doenças. Mas, entretanto, não devemos ser tão simplistas a ponto de acreditar que esta seja a explicação da causa do aumento das doenças transmitidas por vetores. As mudanças climáticas são responsáveis por uma parte desse aumento, mas temos outros fatores que somados as mudanças climáticas, podem demonstrar a complexidade ecológica e epidemiológica que envolve esse tema.

O risco de exposição de humanos a carrapatos infectados depende de uma grande variedade de fatores ambientais, tanto abióticos (clima, estrutura da paisagem), como de fatores bióticos (dinâmica populacional, distribuição e abundância de carrapatos e hospedeiros), além de fatores sócio-econômicos que alteram os padrões de comportamento humano (Figura 1).


Figura 1 - Fatores ambientais e sócio-econômicos que podem
levar ao aumento do risco de exposição de humanos a doenças
transmitidas por carrapatos.


Em um estudo realizado na região Báltica, Sumilo et al. (2007) relacionaram as mudanças climáticas ocorridas entre os anos de 1970 e 2004 nos países Estônia, Lituânia e Latvia com a epidemiologia da Encefalite transmitida por Carrapatos (TBE, do inglês: Tick-borne Encephalitis). TBE é uma das doenças transmitidas por carrapatos mais importantes da Europa devido o aumento significativo de sua incidência, tendo um acréscimo de 0.5-7 para 11-54 casos em 100.000 habitantes.

Embora o aumento na incidência tenha ocorrido na média desses países em estudo, notou-se que não ocorria de forma uniforme, sendo que em um mesmo país podia-se notar uma grande variedade na epidemiologia dessa doença nas diferentes regiões enquanto que as mudanças climáticas ocorreram de maneira uniforme durante o mesmo período.

Objetivando descobrir qual era a real causa para o aumento da incidência de TBE em algumas das regiões dos países em estudo, descobriram que após a queda da antiga União Soviética, esses países passaram por profundas mudanças sócio-econômicas. Estas mudanças ocorreram devido a diminuição na oferta de empregos tanto na agricultura como na indústria na região Báltica durante a década de 1990.

Em um inquérito com 1000 pessoas realizado em 2001 na Latvia, puderam observar que 69% dos adultos visitaram florestas para trabalhar, buscar alimentos ou com propósitos de lazer. Observaram ainda que, independente da abundância de carrapatos, a maioria dos casos de carrapatos fixados a humanos ocorria no verão, em finais de semana sem chuvas, logo após uma semana de chuvas pesadas. Este padrão de exposição a carrapatos é consistente com a visitação de pessoas nas florestas para a coleta de cogumelos, imediatamente após as boas condições para o crescimento destes fungos.

Portanto, concluíram que as mudanças climáticas isoladamente não oferecem explicações suficientes para as mudanças epidemiológicas nos casos de TBE. Entretanto, a transição social pós-comunismo criou uma situação sócio-econômica favorável ao aumento da exposição humana a carrapatos infectados por TBE.

No Brasil, podemos citar uma doença transmitida por carrapatos de grande importância epidemiológica, a Febre Maculosa Brasileira. Embora existam diversos estudos sobre a doença em nosso país, poucos são os estudos sobre a influência de fatores como o clima, estrutura da paisagem, densidade e abundância de animais silvestres na epidemiologia da Febre Maculosa.

E embora 90% das espécies de carrapato parasite exclusivamente espécies silvestres, poucos estudos existem sobre a ecologia e a epidemiologia de doenças transmitidas por esses vetores. Além disso, é necessário esforço para que todas as coletas de dados referentes a esses assuntos sejam realizadas e armazenadas de maneira sistemática para que, de modo geral, possam ser utilizadas da melhor maneira possível para estudos deste tipo.

Referências Bibliográficas

Sumilo D, Asokliene L, Bormane A, Vasilenko V, Golovljova I, et al (2007). Climate Change Cannot Explain the Upsurge of Tick-Borne Encephalitis in the Baltics. PloS ONE 2(6): e500.

Randolph SE (2004) Tick Ecology: processes and patterns behind the epidemiological risk posed by ixodid ticks vector. Parasitology 129, S37-S65.

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